A socioeconomia da pesca em Caracaraí e a percepção dos pescadores artesanais sobre as unidades de conservação federais do baixo Rio Branco, Roraima

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24979/ambiente.v19i1.1728

Palavras-chave:

Pesca em águas interiores, Rios amazônicos, Questões sociais e econômicas, Áreas protegidas

Resumo

O estudo analisa a atividade pesqueira praticada no município de Caracaraí, a mais importante área de pesca do estado de Roraima. A socioeconomia dos atores envolvidos na atividade pesqueira é discutida, bem como a identificação das espécies exploradas e a percepção sobre as unidades de conservação (UC) federais inseridas na região. Os dados foram obtidos a partir da aplicação de questionários a 66 pescadores. Os resultados indicam que a maior parte dos trabalhadores são naturais de Roraima e possuem baixa escolaridade. Quase a metade (48%) não possui vínculo com associações de classe, e os que possuem, em sua maioria, são filiados à Colônia de Pescadores (73%). Exploram cerca de 40 espécies de peixes, sendo a maior parte (86%) vendida para atravessadores (intermediários). Em relação às UCs, 67% afirmam conhecer os limites e as restrições de uso, e 59% afirmam concordar com sua existência. Contudo, quando perguntados para que servem as UCs, ou seus objetivos de criação, nenhum deles respondeu ao questionamento. Concluímos que a classe pesqueira de Caracaraí tem um padrão de vida e de acesso à educação formal e profissional limitados, baixo amparo social, quase total ausência de qualificação profissional, pouca consciência de classe ou associativismo, e uma clara relação de dependência com intermediários para viabilizar a venda da sua produção. Por fim, o baixo nível de conhecimento sobre as leis ambientais e sobre as UCs e seu papel social e conservacionista, são pontos que precisam de ajustes para melhoria da cadeia produtiva.

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Referências

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Publicado

08/04/2026

Edição

Seção

Ciências Socialmente Aplicadas

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A socioeconomia da pesca em Caracaraí e a percepção dos pescadores artesanais sobre as unidades de conservação federais do baixo Rio Branco, Roraima. Ambiente: Gestão e Desenvolvimento, [S. l.], v. 19, n. 1, 2026. DOI: 10.24979/ambiente.v19i1.1728. Disponível em: https://periodicos.uerr.edu.br/index.php/ambiente/article/view/1728. Acesso em: 15 abr. 2026.

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